Portais da transparência e portais de dados abertos no Brasil: evidências de uma institucionalização assimétrica nos governos estaduais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36428/revistadacgu.v18i33.928

Palavras-chave:

portais da transparência, dados abertos, institucionalização, governo aberto, transparência pública

Resumo

Nos últimos anos, os governos brasileiros ampliaram os marcos legais e institucionais voltados ao fortalecimento da transparência e do acesso à informação pública. Apesar de integrarem a mesma agenda de governo aberto, os portais da transparência e os portais de dados abertos foram instituídos em momentos distintos e possuem bases legais diferenciadas, o que pode resultar em diferentes graus de institucionalização e de prioridade administrativa. Este artigo realiza uma avaliação sistemática e comparativa dos portais da transparência e dos portais de dados abertos dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal, com o objetivo de analisar se esses instrumentos apresentam padrões assimétricos de estabilidade operacional, estruturação dos dados e continuidade das informações disponibilizadas. Adotando uma abordagem qualitativa, descritivo-comparativa e fundamentada em análise documental, o estudo aplica um conjunto de indicadores derivados da literatura para captar aspectos de autonomia institucional, diversidade temática, desempenho operacional, estruturação dos dados, cobertura temporal e volume de conjuntos de dados. Os resultados indicam que os portais da transparência apresentam maior grau de consolidação institucional e menor variação entre os estados, em função de um arcabouço legal mais antigo e coercitivo. Em contraste, os portais de dados abertos exibem elevada heterogeneidade e, frequentemente, operam como extensões dos portais da transparência, com escopo temático restrito. Ainda assim, observa-se uma convergência técnica incipiente em torno de um modelo inspirado no Portal Brasileiro de Dados Abertos, sugerindo oportunidades para coordenação intergovernamental.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Andrea Felippe Cabello, Universidade de Brasília (UnB)

    Doutora em Economia pela UnB (2012), com graduação (2007) e mestrado (2010) na mesma instituição. Professora associada da UnB, bolsista de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Nível C) e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Gestão Pública da UnB. Possui ampla experiência em políticas públicas e avaliação, atuando com métodos quantitativos e qualitativos.

  • Guilherme Viana Ferreira, Universidade de Brasília (UnB)

    Doutor em Economia, mestre em Administração e bacharel em Estatística, todos pela Universidade de Brasília (UnB). Estatístico da carreira de Técnico-Administrativo em Educação (TAE) na UnB. Diretor de Avaliação e Estatísticas Institucionais (DAI) no Decanato de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional (DPO/UnB). Recenseador institucional da UnB junto ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Professor-substituto no Departamento de Economia da UnB. Profissional com sólida experiência em projetos de pesquisa e gestão, comprometido com a excelência em avaliação, pesquisa e análise de dados em várias esferas acadêmicas e institucionais.

Referências

Abella, A., Ortiz-de-Urbina-Criado, M., & de-Pablos-Heredero, C. (2022). Criteria for the identification of ineffective open data portals: Pretender open data portals. El Profesional de la Información, 31(1). https://doi.org/10.3145/epi.2022.ene.11

Albaladejo, G. P., & Medero, G. S. (2023). Transparencia activa inclusiva en los ayuntamientos españoles: Diagnóstico y condicionantes exógenos de la e-accesibilidad. Revista Española de la Transparencia, 18(1). https://doi.org/10.51915/ret.265

Almada, M. P., & Dominguez, M. (2017). Improving eTransparency and open data policies in Brazil. In Proceedings of the 5th Global Conference on Transparency Research.

Alomar, E. A., Wang, T., Raut, V., Mkaouer, M. W., Newman, C., & Ouni, A. (2022). Refactoring for reuse: An empirical study. Innovations in Systems and Software Engineering, 18(1). https://doi.org/10.1007/s11334-021-00422-6

Balladares, C. P. M. (2023). Transparencia, protección de datos, open data y perspectiva del Portal de Datos Abiertos de Canarias. Revista Canaria de Administración Pública, 2(1). https://doi.org/10.36151/RCAP.2.8

Carmo, S. L., Geyer, C. F., & dos Anjos, J. C. (2024). Data quantitative and qualitative study in Brazilian open data portals. Journal of Internet Services and Applications, 15(1). https://doi.org/10.5753/jisa.2024.3980

Craveiro, G. D. S., Albano, C. S., & Soletto, J. S. (2023). Demanda por dados abertos governamentais: Um estudo com dados do Ministério da Saúde brasileiro antes e ao longo da pandemia de COVID-19. Cadernos Gestão Pública e Cidadania, 28(1). https://doi.org/10.12660/cgpc.v28.88602

Crepaz, M., & Arikan, G. (2024). The effects of transparency regulation on political trust and perceived corruption: Evidence from a survey experiment. Regulation & Governance, 18(3). https://doi.org/10.1111/rego.12555

Crepaz, M., & Kneafsey, L. (2021). Use and perceptions of government transparency portals: An examination of journalists' use in Ireland [Preprint]. ResearchGate. https://www.researchgate.net/publication/350386759_Use_and_perceptions_of_government_transparency_portals_An_examination_of_journalists%27_use_in_Ireland

Crepaz, M., & Kneafsey, L. (2022). Usability of transparency portals: Examination of perceptions of journalists as information seekers. Public Administration, 100(4). https://doi.org/10.1111/padm.12777

Dassen, N., Vieyra, J. C., Molina, E., Ramírez Alujas, Á. V., Díaz Frers, L., Elena, S., Casadei, E., Narciso de Barros, A., Alvim Camargo, T., Bellettini Cedeño, O. J., De Michele, R., Restrepo Hung, M., Tschorne Berestesky, S., & Riaño, J. (2012). Open Government and Targeted Transparency: Trends and Challenges for Latin America and the Caribbean. https://doi.org/10.18235/0012776

Evangelista, A., & Elias, L. (2023). A concepção da política de dados abertos e o PT do Estado do Pará. RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar, 4(5). https://doi.org/10.47820/recima21.v4i5.3040

Ferreira, G., & Raupp, F. M. (2022). Proposta de aperfeiçoamento do PT do Poder Executivo de Santa Catarina. Revista Catarinense da Ciência Contábil, 21(1). https://doi.org/10.16930/2237-766220223247

Ferreira, L. A., Rodrigues, R. L., & de Souza, R. N. P. M. (2021). Dados abertos educacionais brasileiros: Um mapeamento sistemático da literatura. In Anais do XXXII Simpósio Brasileiro de Informática na Educação (SBIE) (pp. 1186–1195). Sociedade Brasileira de Computação. https://doi.org/10.5753/sbie.2021.218158

García-García, J., & Alonso-Magdaleno, M. I. (2023). Examining the impact of transparency portals on media coverage. JeDEM – eJournal of eDemocracy and Open Government, 15(1). https://doi.org/10.29379/jedem.v15i1.784

Huijboom, N., & van den Broek, T. (2011). Open data: An international comparison of strategies. European Journal of ePractice, 12(1). https://interoperable-europe.ec.europa.eu/sites/default/files/document/2014-06/ePractice%20Journal-%20Vol.%2012-March_April%202011.pdf#page=4

Jackson, E. B. (2022). Analysis of open government data usage in Hamburg (Master’s dissertation). Tallinn University of Technology.

Kaur, P., & Nand, P. (2021). Towards transparent governance by unifying open data. IAENG International Journal of Computer Science, 48(4). https://www.iaeng.org/IJCS/issues_v48/issue_4/IJCS_48_4_16.pdf

Kawashita, I., Baptista, A. A., Soares, D., & Andrade, M. (2024). Open government data use: The Brazilian states and federal district cases. PLOS One, 19(3), e0298157. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0298157

Khan, A., Krishnan, S., & Dhir, A. (2021). Electronic government and corruption: Systematic literature review, framework, and agenda for future research. Technological Forecasting and Social Change, 167. https://doi.org/10.1016/j.techfore.2021.120737

Lourenço, R. P. (2015). An analysis of open government portals: A perspective of transparency for accountability. Government Information Quarterly, 32(3).https://doi.org/10.1016/j.giq.2015.05.006

Macêdo, J. M. A., Becker, V., de Sá, F. M. F., da Rocha Filho, E. V., & Cavalcanti, D. D. Q. (2024). Public transparency in Brazil: Evaluation of transparency websites and portals of local governments with more than 200 thousand inhabitants. In Proceedings of the International Conference on Human-Computer Interaction. https://doi.org/10.1007/978-3-031-61351-7_19

Macedo, D. F., & Lemos, D. L. (2021). Dados abertos governamentais: Iniciativas e desafios na abertura de dados no Brasil. AtoZ: Novas Práticas em Informação e Conhecimento, 10(2). https://revistas.ufpr.br/atoz/article/view/77737

Maretto, C. X., & Barcellos, M. P. (2023). Uma avaliação de dados abertos educacionais brasileiros: Qualidade, privacidade e learning analytics. In Anais do Simpósio Brasileiro de Informática na Educação. https://doi.org/10.5753/sbie.2023.234758

Martins, J., Veiga, L., & Fernandes, B. (2023). Are electronic government innovations helpful to deter corruption? Evidence from across the world. Economics & Politics, 35(3). https://doi.org/10.1111/ecpo.12255

Mendoza, I., Corrêa, R., & Bernardini, F. (2023). Como a governança de dados pode auxiliar na mitigação de barreiras de uso de portais de dados governamentais abertos? In Anais do Workshop de Computação Aplicada em Governo Eletrônico. https://doi.org/10.5753/wcge.2023.229862

Michener, G., & Ritter, O. (2017). Comparing resistance to open data performance measurement. Public Administration, 95(1). https://doi.org/10.1111/padm.12293

Monteiro, D. A. A., & Carvalho Teixeira, M. A. (2025). Transparência ativa, dados abertos e desempenho: análise das Universidades Federais Brasileiras. Cadernos Gestão Pública E Cidadania, 30, e90831. https://doi.org/10.12660/cgpc.v30.90831

Odilla, F. (2025). The digitalisation of anti-corruption in Brazil: Scandals, reforms, and innovation. Taylor & Francis. https://doi.org/10.4324/9781003326618

Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD). (2023). Open government for stronger democracies. https://www.oecd.org/content/dam/oecd/en/publications/reports/2023/11/open-government-for-stronger-democracies_88aa0131/5478db5b-en.pdf

Oriol, A. M., & Ferreira, R. (2025). The future of fiscal transparency. ODI Global. https://media.odi.org/documents/Ch7_-_The_future_of_fiscal_transparency.pdf

Perez, G. V., Provin, J. A., Tereza, S. D., Barros, R. M., & Barros, V. T. (2025, January). UX Research for Development of Guidelines Focused on Transparency Portal Systems Development. In International Conference on Information Technology & Systems (pp. 203-214). Cham: Springer Nature Switzerland.

Quispe, G. A. C., & Menéndez, Y. L. L. (2024). Importancia del portal SEACE en la transparencia y el acceso a la información en las contrataciones públicas en el Perú. Opinión Jurídica, 23(50). https://doi.org/10.22395/ojum.v23n50a36

Raca, V., Velinov, G., Dzalev, S., & Kon-Popovska, M. (2022). A framework for evaluation and improvement of open government data quality: application to the Western Balkans national open data portals. SAGE Open, 12(2). https://doi.org/10.1177/21582440221104813

Reckziegel, E. C., de Melo Alves, C. A., Dias, C. N., & Albano, C. S. (2022). Análise dos níveis de abertura dos dados abertos governamentais: Um estudo em instituições de educação superior federais no Brasil. Revista Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação, (E54), 436–450. https://www.proquest.com/openview/e8c8009ba294c345734d9f74c62ff7ce/1?pq-origsite=gscholar&cbl=1006393

Shannon, N. P., Lockman, A. J., Hayes, G. A., & McNary, N. D. (2016). Creating an open data repository for Santa Fe (Interactive Qualifying Project). Worcester Polytechnic Institute. https://digital.wpi.edu/concern/student_works/sb397849b?locale=en

Silva, A., Monteiro, D. A. A., & de Oliveira Reis, A. (2020). Qualidade da informação dos dados governamentais abertos. Revista Gestão em Análise, 9(1). https://doi.org/10.12662/2359-618xregea.v9i1.p31-47.2020

Solana, M. (2004). Transparency portals: Delivering public financial information to citizens in Latin America. Inter-American Development Bank.

Tejedo-Romero, F., Araujo, J. F. E., & Ribeiro, M. J. G. (2025). The usability of Brazilian government open data portals. Humanities and Social Sciences Communications, 12(1). https://doi.org/10.1057/s41599-025-04404-y

Torino, E., & Vidotti, S. A. B. G. (2021). Boas práticas para dados na web: Análise do portal Dados Abertos Capes. Informação & Sociedade: Estudos, 31(1). https://periodicos.ufpb.br/index.php/ies/article/view/50790/33168

United Nations (UN). (2020). United Nations e-government survey 2020. https://www.un-ilibrary.org/content/periodicals/2411829x

World Bank. (2018). Information and communication for development 2018: Data-driven development. World Bank. http://documents.worldbank.org/curated/en/987471542742554246

Žuffová, M. (2020). Do FOI laws and open government data deliver as anti-corruption policies? Evidence from a cross-country study. Government Information Quarterly, 37(3). https://doi.org/10.1016/j.giq.2020.101480

Downloads

Publicado

19.05.2026

Edição

Seção

Governo Aberto: Transparência, Participação e Ouvidoria

Como Citar

Cabello, A. F., & Ferreira, G. V. (2026). Portais da transparência e portais de dados abertos no Brasil: evidências de uma institucionalização assimétrica nos governos estaduais. Revista Da CGU, 18(33). https://doi.org/10.36428/revistadacgu.v18i33.928

Artigos Semelhantes

1-10 de 267

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.