“É devagar, é devagar, é devagar, é devagar, devagarinho”: transparência e implementação da Lei de Acesso à Informação nos municípios do Recôncavo da Bahia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36428/revistadacgu.v18i33.933

Palavras-chave:

transparência, gestão municipal, portais governamentais, LAI

Resumo

A Lei de Acesso à Informação — LAI (Lei nº 12.527/11) foi criada como instrumento de transparência e acesso à informação para a sociedade brasileira. Neste artigo, são apresentados os resultados de um estudo que buscou identificar desafios para a implementação da LAI nos 19 municípios do território do Recôncavo (Bahia). Foram analisados a regulamentação da LAI e os níveis de transparência ativa e passiva, considerando o porte dos municípios. A coleta de dados foi realizada com base da Pesquisa de Informações Básicas Municipais — MUNIC 2019, ano em que o levantamento contemplou dados sobre a regulamentação da LAI. Em seguida foi realizada visita aos sites institucionais das 19 prefeituras, bem como envio de pedidos de informação aos municípios via e-SIC para a coleta de dados de transparência ativa e passiva. Os resultados indicam que o território do Recôncavo possui maior desempenho em transparência ativa do que em transparência passiva. Apesar de a transparência ativa se mostrar mais consolidada, no geral, foram observados municípios com desempenho muito baixo, inferior a 10%. No que se refere à transparência passiva, o território apresentou baixo desempenho: apenas dois municípios responderam a pelo menos um pedido de informação. Observou-se que houve crescimento da regulamentação no nível local, mas, mesmo após tantos anos de implementação da LAI, a adesão dos municípios e o atendimento aos dispositivos legais ainda são reduzidos e lentos. Os desafios encontrados foram sistematizados em quatro eixos: regulamentação, gerencial, servidor público e tecnologia. Observou-se que os níveis encontrados de transparência não estão relacionados ao porte dos municípios, o que abre possibilidades para novas pesquisas sobre capacidades municipais. No Recôncavo, nem sempre os municípios de pequeno porte – e, consequentemente, com menor capacidade de captação própria de recursos — são aqueles com maiores dificuldades na regulamentação e na implementação da LAI.

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Biografia do Autor

  • Evellin Souza Messias, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)

    Gestora Pública pelo Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, CAHL - UFRB. Membro do Grupo de Pesquisa em Organizações, Gestão e Políticas Públicas – OrGPoP.

  • Doraliza Auxiliadora Abranches Monteiro, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Universidade Federal da Bahia (UFBA)

    Professora de Gestão Pública da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e do Mestrado Profissional em Administração do Núcleo de Pós-graduação em Administração da Universidade Federal da Bahia (NPGA/UFBA).

  • Lys Maria Vinhaes Dantas, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)

    Professora associada da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e professora permanente do seu Programa de Pós-graduação em Gestão de Políticas Públicas.

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Publicado

19.05.2026

Edição

Seção

Governo Aberto: Transparência, Participação e Ouvidoria

Como Citar

Messias, E. S., Monteiro, D. A. A., & Dantas, L. M. V. (2026). “É devagar, é devagar, é devagar, é devagar, devagarinho”: transparência e implementação da Lei de Acesso à Informação nos municípios do Recôncavo da Bahia. Revista Da CGU, 18(33). https://doi.org/10.36428/revistadacgu.v18i33.933

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